Stewards fazem vista grossa? Hamilton leva 5s, Leclerc sai ileso e Piastri fica só no prejuízo
Comissários explicam a diferença entre o toque de Hamilton em Russell (penalidade) e o de Leclerc em Piastri (nada); e ainda sobra tempo para investigar liberação perigosa de Hamilton.

Quem disse que a F1 não tem senso de justiça poética? No GP da Bélgica, os comissários mostraram que sabem fazer distinções tão sutis quanto a diferença entre um understeer e um ‘aperto’ na freada. Lewis Hamilton levou uma punição de 5 segundos por bater em George Russell na primeira volta; já Charles Leclerc, que apertou Oscar Piastri no mesmo trecho da pista, saiu sem nem uma advertência. O resultado? Russell abandonou, Piastri ficou com o carro amassado e a Ferrari de Leclerc terminou em segundo. Justiça? Depende do lado do muro que você está.
Os stewards – que contaram com a sabedoria do ex-piloto Pedro Lamy como comissário-piloto – explicaram que Hamilton foi ’totalmente culpado’ pelo toque em Russell na saída das Les Combes, mas reconheceram atenuantes: foi na primeira volta, havia pouco grip, e Hamilton tentou evitar o contato (só não conseguiu porque o carro resolveu fazer um understeer na hora errada). Por causa dessas circunstâncias, a pena foi reduzida de 10s para 5s. George Russell, mesmo sendo a vítima, disse que aquilo era mais ‘incidente de corrida’ do que erro de Hamilton. Mas os juízes não quiseram aliviar de vez.
Já no caso Leclerc x Piastri, a história foi outra. A Mercedes – que depois da prova alertou Antonelli sobre o estilo de pilotagem de Leclerc – viu os comissários decidirem que Piastri não tinha ’nenhuma possibilidade realista’ de completar a ultrapassagem por fora na curva 5. Ou seja: para os stewards, Leclerc só estava seguindo a linha normal e Piastri é quem se meteu onde não devia. Contacto? Sim, mas sem dolo. Resultado: nada de punição. Piastri ficou com o carro danificado e terminou a corrida 17 segundos atrás de Leclerc, que foi o segundo colocado.
E para fechar o fim de semana de Hamilton com chave de ouro, ele ainda segue sob investigação por uma liberação potencialmente perigosa no pit stop. Por enquanto, o inglês terminou em quarto na pista – mas pode ser que os comissários, depois de tanta análise, resolvam dar a ele mais alguns segundos de reflexão na próxima corrida. Ironias à parte, a F1 nos lembra que, no fim das contas, cada batida tem seu próprio roteiro – e os stewards, os roteiristas.