Rossi 'abandona' a Ferrari e declara: 'Estou com Kimi agora'
Nove vezes campeão das duas rodas, Valentino Rossi rasga elogios ao fenômeno de 19 anos que lidera a F1 e coloca a Itália de volta no mapa.

Valentino Rossi entende de pressão, de velocidade e de ser um deus na Itália. O nove vezes campeão mundial de motovelocidade, porém, agora está de olho em outra lenda em formação: Kimi Antonelli. E, para alegria dos fãs do jovem da Mercedes, Rossi deixou claro de que lado está quando o assunto é a Fórmula 1. “Não sou torcedor de equipe, sou torcedor de piloto”, avisou o Doutor, antes de cravar: “Estou com Kimi agora.”
O entusiasmo tem motivo. Na metade da temporada, Antonelli lidera o Mundial com 50 pontos de vantagem sobre Lewis Hamilton e 59 sobre George Russell, seu companheiro na Mercedes. Isso em apenas seu segundo ano na categoria, depois de uma estreia cheia de altos e baixos que fez todo mundo desconfiar. Agora, o garoto de 19 anos vai contrariando as expectativas com a mesma naturalidade com que ultrapassa adversários – e ainda sobra tempo para tirar onda.
Rossi, que sabe o que é ser ídolo nacional, reconhece o tamanho do feito. “Na Itália, a Ferrari é uma religião. Mas eu sigo os pilotos. E, com Kimi, temos algo muito especial: um italiano que pode vencer o campeonato depois de 70 anos”, filosofou. Para contextualizar: o último italiano campeão foi Alberto Ascari, em 1953, e o último a vencer uma corrida antes de Antonelli foi Giancarlo Fisichella, em 2006. Ou seja, dá para dizer que a Itália estava em jejum até para celebrar – e agora tem um adolescente para matar a sede.
O próximo capítulo dessa novela terá direito a palco apoteótico: Monza, o Templo da Velocidade, deve receber o jovem com a histeria de um show do Pink Floyd nos anos 70. Mas Antonelli parece blindado contra a fama. Perguntado, no GP da Bélgica, sobre quem é mais famoso na Itália hoje, ele ou o tenista Jannik Sinner (número 1 do mundo e campeão de Wimbledon), o piloto não titubeou: “Charles Leclerc. Ele deve ser o homem mais famoso da Itália agora.” Com uma resposta dessas, dá para entender por que até Rossi, que já viu de tudo sobre duas rodas, resolveu trocar a moto pelo carro – e pelo futuro.