Red Bull rouba o ‘Marko’ da Mercedes: Gwen Lagrue chega para salvar o programa de jovens (e a moral)
Enquanto a Mercedes tenta decidir quem assume o berçário, o francês que descobriu Antonelli troca as flechas de prata pelos touros — e promete dar um chega pra lá na crise de talentos em Milton Keynes.

Foto: The Race / Foto original da matéria-fonte
Depois de perder gente pra todo lado — engenheiro de corrida, chefe técnico e até a compostura — a Red Bull finalmente conseguiu uma contratação que não é para tampar buraco, mas para reconstruir a casa. A vítima da vez é a Mercedes, que viu seu principal olheiro, Gwen Lagrue, aceitar o convite para ser o novo cabeça do programa de jovens pilotos da equipe de Milton Keynes. O francês, que ajudou a descobrir ninguém menos que Kimi Antonelli (atual líder do campeonato de F1, pra quem não está acompanhando), vai assumir boa parte das funções que antes eram do lendário (e agora aposentado) Helmut Marko.
A transição, claro, não será da noite para o dia — ainda não há data definida para a mudança, e a Mercedes precisa encontrar um substituto à altura para cuidar de sua própria linha de produção de talentos, que já gerou Antonelli e George Russell. Uma das apostas é Bradley Lord, que virou vice-chefe de equipe este ano e pode ganhar mais responsabilidades. Enquanto isso, Toto Wolff tenta disfarçar o prejuízo: ‘Estamos discutindo com Gwen sobre o futuro, mas nada está decidido. Ele construiu uma equipe fantástica…’, disse o chefão, tentando soar tranquilo enquanto vê seu melhor caçador de talentos bater asas.
Do lado de lá, a contratação de Lagrue é um sopro de esperança para uma Red Bull que andava mais parecida com um filtro de café — só saindo gente de qualidade nos últimos meses. A saída de Gianpiero Lambiase para a McLaren e a indefinição sobre Paul Monaghan (Cádiz, ops, Cadillac, de olho) criaram uma imagem de time em desmanche. Mas, com Lagrue a bordo, o time de Laurent Mekies ganha um trunfo: além de conhecer o sistema vencedor da Mercedes, o francês tem amizade antiga com o chefe da Red Bull, o que promete uma sintonia fina. ‘É a prova de que ainda somos atraentes para gente que sabe ganhar títulos’, sussurram nos corredores de Milton Keynes.
Se vai dar certo na pista, só o tempo dirá. Mas, pelo menos por enquanto, a Red Bull conseguiu fazer um gol de placa no mercado de olheiros — e ainda mandou um recado para o paddock: não está morta, só tirando um cochilo estrategicamente posicionado.