Rafael Câmara vence de virada em Spa e afia garras para a F1 em 2027
Brasileiro larga mal, toma café, volta e domina a corrida principal da F2 na Bélgica — enquanto isso, uma visita de fone de ouvido tira Noel León dos resultados.

O pernambucano Rafael Câmara andou ouvindo aquela voz interna que diz ‘largada é superestimada mesmo’. O piloto da Invicta Racing, cotado para uma vaga na Fórmula 1 em 2027, largou da pole em Spa-Francorchamps, perdeu a liderança na primeira curva como quem esquece a chave em casa, mas se recuperou com a frieza de quem já sabe onde vai guardar o troféu. Resultado: vitória na corrida principal da Fórmula 2, a segunda dele na temporada — a primeira foi em Barcelona, porque repetir sucesso na Europa virou rotina.
A prova começou com o safety car passeando antes do previsto: Dino Beganovic não largou (parou na pista, talvez pensando na vida), Oliver Goethe emperrou na subida da Eau Rouge e Roman Bilinski trocou uns afetos com Gabriele Minì. Enquanto o pelotão se acertava, o tailandês Tasanapol Inthraphuvasak aproveitou a bagunça para liderar. Mas Câmara, que passou a corrida grudado no tailandês como carrapato em pneu de F1, retomou a ponta na volta 5 na reta Kemmel, numa ultrapassagem tão limpa que dava até para ver o reflexo do capacete.
Depois da troca de pneus, Câmara voltou em 12º e teve que engolir carros como se fossem pastilhas de freio usadas. Aí veio a bandeira vermelha — o holandês Laurens van Hoepen caprichou na batida na curva 7, transformando o carro da Trident numa escultura moderna. Por sorte, o piloto saiu bem, mas o cronômetro assumiu o controle da prova. Aí foi a vez de Emerson Fittipaldi Jr. dar seu show particular: sétimo colocado, sem parada nos boxes, ele perdeu o controle na curva 7 e foi para a brita com a elegância de quem desiste de cozinhar e pede pizza. Abandono aos 16 minutos do fim.
Na relargada, Câmara reassumiu a liderança e abriu uma vantagem de segundos, enquanto Alexander Dunne levava uma punição de cinco segundos por sair da pista mais vezes que um turista perdido. No fim, Inthraphuvasak ainda passou Nikola Tsolov para ficar com o segundo lugar, mas Câmara já tinha a vitória garantida. Com 125 pontos, o brasileiro segue em terceiro no campeonato, mas agora olha nos olhos do vice-líder Gabriele Minì (134 pontos), enquanto Tsolov (161) vai precisar de um GPS para saber onde os adversários estão.
Ah, e Noel León, da Campos, foi desclassificado por um motivo que merece um episódio de ‘Arquivo X’: uma pessoa visitante (sim, uma visita) usou fone de ouvido no pit lane durante a bandeira vermelha. Como a criatura foi associada exclusivamente ao carro de León, o mexicano pagou o pato. Se ao menos o visitante tivesse colocado uma música animada para a equipe… Mas as regras são regras, e o regulamento não perdoa nem visita de ouvido tapado.