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F1

O grito abafado de Russell: quando a bateria acaba e o microfone também

George Russell foi eliminado na primeira volta na Bélgica, culpando a falta de potência da Mercedes, e solta um discurso inflamado que foi ao ar apenas na TV alemã — o resto do mundo ficou com o áudio cortado.

Por Bruno Bandeira

Foto: The Race / Foto original da matéria-fonte

George Russell teve um fim de semana para esquecer em Spa-Francorchamps — e, aparentemente, para não ouvir também. O piloto da Mercedes foi eliminado na primeira volta após um toque com Lewis Hamilton em Les Combes, mas o verdadeiro motivo da sua fúria não foi o vacilo do heptacampeão, e sim a falta de bateria no momento mais inoportuno.

Enquanto subia a Kemmel Straight, Russell virou um ‘pato manco’: sem a potência extra do sistema híbrido, viu os adversários passarem como se estivesse parado. A reclamação pelo rádio foi digna de um drama shakespeariano — com palavras de baixo calão. Só que, para quem esperava ouvir o desabafo ao vivo, a transmissão internacional simplesmente silenciou. O áudio só foi ao ar na TV alemã, que se tornou a ‘espiã’ oficial da F1.

Conspirações à parte — incluindo a sugestão de que o áudio era falso ou gerado por IA —, a verdade é mais burocrática: a F1 tem uma equipe de oito pessoas que filtra mensagens de rádio ‘problemáticas’ para proteger os pilotos de si mesmos. Russell, nesse caso, foi salvo de ser escutado xingando a própria equipe em alto e bom som. A pergunta que fica: será que a Mercedes também foi protegida de ouvir que o problema de software — que afetou ambos os carros — foi ‘inaceitável’?

Os dados de telemetria mostram que tanto Russell quanto Kimi Antonelli tiveram a velocidade limitada na saída de La Source, um erro que Toto Wolff minimizou como ‘problema de todos os Mercedes’, mas que a análise interna aponta como um bug de software. Enquanto isso, Oscar Piastri e os Ferraris de Hamilton e Leclerc navegaram com potência total. Russell, que chegou a verificar a carga da bateria antes da largada e recebeu garantias de que estava tudo ok, deve estar se perguntando se o checklist incluiu também uma oração.

No fim, o episódio rendeu um dos rádios mais memoráveis (e silenciados) da temporada. Resta saber se a Mercedes vai resolver o bug ou se Russell terá que aprender a falar alemão para garantir que seus desabafos cheguem ao público na próxima vez. Como diria o próprio: ‘Un-f***ing-acceptable’ — e a F1 concorda, desde que ninguém ouça.

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