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F1

O enigma das IAs na F1: quando os motores pensam demais (e erram na hora errada)

Entre vento, pneus e algoritmos perdidos, pilotos e engenheiros tentam decifrar as novas unidades de potência — e a IA parece estar mais confusa do que eles.

Por Bruno Bandeira

Foto: The Race / Foto original da matéria-fonte

A Fórmula 1 sempre foi um esporte de detalhes, mas em 2026 os detalhes resolveram criar uma rebelião. As novas unidades de potência, recheadas de inteligência artificial e com uma fome de energia digna de adolescente em fase de crescimento, estão deixando pilotos e engenheiros com a mesma expressão de quem tenta montar um móvel da Ikea sem manual — e com um gato atrapalhando.

O problema, segundo Andrea Stella, chefe da McLaren, não é só a complexidade das peças, mas a sensibilidade exagerada delas. Um ventinho mais forte em uma reta, uma mudança de aderência dos pneus ou um simples erro de acionamento do piloto podem jogar todo o plano de distribuição de energia por água abaixo. ‘Apertei o botão no momento errado’ virou desculpa oficial, mas a verdade é que a própria IA muitas vezes faz hora extra e distribui energia como quem joga confete — sem critério. Stella admite que a McLaren chegou atrasada na festa dos modelos de simulação, mas agora corre para entender como domar essas feras elétricas que, ao contrário dos motores antigos, parecem ter vida própria.

O maior desafio? Os modelos de previsão não conseguem capturar toda a sensibilidade dos componentes. ‘Uma pequena alteração na entrada do piloto pode gerar uma mudança enorme no resultado’, explica Stella. E isso vale também para coisas tão básicas quanto o vento: um vento contrário mais forte transforma a reta em uma maratona, bagunçando as contas de distribuição de energia. Os pilotos, coitados, precisam ajustar a condução em tempo real, mas a resposta imprevisível da IA faz com que até os mais experientes pareçam dançarinos de tango com dois pés esquerdos.

E não para por aí. Com menos downforce e pneus que pedem uma abordagem diferente, frear tarde e forte — aquele truque clássico para girar o carro — virou uma aposta arriscada. Stella compara: ‘Se você colhe mais energia antes da freada, chega ao ponto de freio 10 km/h mais devagar, e aí sua referência vai pro espaço.’ Em outras palavras, os pilotos estão aprendendo a pilotar de novo, enquanto os engenheiros tentam convencer seus próprios motores a colaborar. A boa notícia? Pelo menos a IA ainda não desenvolveu senso de humor — senão estaria rindo de todos nós.

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