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F1

Liam Lawson ‘surpreende’ com estratégia dividida e deixa Arvid Lindblad a ver navios em Hungria

Entre um pitaco do piloto e um ‘late lunge’ do Verstappen, a Racing Bulls faturou os pontos que deu — e Lawson saiu como o herói do dia.

Por Bruno Bandeira

Foto: Formula1.com / Foto original da matéria-fonte

Se Hungria é o país das apostas, a Racing Bulls foi ao cassino e saiu de chapéu novo. A briga interna entre Liam Lawson e Arvid Lindblad ganhou mais um capítulo, e dessa vez a sorte — e a borracha — sorriram para o neozelandês, que converteu um décimo primeiro lugar no grid em oitavo nos pontos, enquanto o britânico mordia o pó (literalmente, com 49 voltas nos pneus duros).

A coisa começou torta para Lindblad ainda no sábado, quando perdeu quase todo o TL3 para trocar a unidade de potência. Mesmo assim, classificou em P9, duas posições à frente de Lawson. Mas na largada, foi Lawson quem deu o ‘olé’: ultrapassou os dois adversários e ainda passou pelo atrapalhado George Russell. ‘Não foi um ótimo primeiro giro’, admitiu Lindblad, com a elegância de quem acabou de levar um chapéu.

Aí veio o ‘late lunge’ do Verstappen — aquela manobra que só o Max tem coragem de fazer — e Lawson perdeu tempo precioso atrás da briga dos ponteiros. ‘Eu só tentava não atrapalhar. Não esperava que eles passassem tão perto. Custou caro, mas foi uma jogada muito Max!’, disse o neozelandês, rindo da própria desgraça.

O plano original era uma parada só, mas o fantasma de Nico Hulkenberg rondava o pit wall. Lindblad, profeta do caos, já avisava antes da corrida: ‘Eu disse que ia ser duas paradas. Talvez tenha ajudado o Liam também’. E ajudou: enquanto Lindblad tentava o one-stop que só o Gabriel Bortoleto ousou copiar, Lawson fez o pit stop extra e calçou pneus macios. Resultado: ultrapassou o colega na volta 62 e herdou o P8, enquanto Hulkenberg ainda passou Lindblad e o relegou a P10.

‘Uma pena que o plano de uma parada não funcionou, mas entendo a equipe. Se o duro tivesse aguentado, eu seria o herói. Não deu. O Liam maximizou’, filosofou Lindblad, com a resignação de quem sabe que no automobilismo a linha entre herói e vilão é tão fina quanto um pneu careca. Já Lawson vibrou: ‘Não planejávamos duas paradas, mas o carro estava muito forte. A equipe fez uma chamada genial’.

No fim, a Racing Bulls somou pontos com os dois carros, o que em 2026 já é vitória. Mas a impressão é que Lindblad, o estoico britânico, continua escrevendo uma autobiografia de ‘quase-lá’. Lawson, por enquanto, leva a melhor no duelo interno — e de quebra ainda aprendeu que, às vezes, o melhor plano é não ter plano nenhum.

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