Liam Lawson: o ‘outro cara’ que voltou da Red Bull e virou o ‘cara’ na Racing Bulls
Alan Permane revela que o neozelandês precisou de colo e muito simulador para se reerguer após a rápida troca de 2025 — e agora é a referência da equipe.

Foto: Formula1.com / Foto original da matéria-fonte
A passagem de Liam Lawson pela Red Bull em 2025 foi tão curta que mal deu tempo de decorar o caminho para o motorhome. Dois fins de semana desastrosos — um acidente na Austrália e uma última fila na China — bastaram para que a equipe-mãe o mandasse de volta para a irmã menor, a Racing Bulls, num dos rebaixamentos mais relâmpago da história recente da F1.
Alan Permane, chefão da Racing Bulls, lembrou em entrevista ao Beyond The Grid que o Lawson que voltou não era o mesmo que havia saído. ‘Ele não era o mesmo cara’, disse Permane, com a delicadeza de quem aponta que o bolo não cresceu. ‘Ele não falava muito, cabisbaixo. Obviamente tentava mostrar que estava tudo bem, mas dava para perceber que não estava.’
O que veio depois, porém, é digno de roteiro de superação — com pitadas de ironia. Em vez de se entregar, Lawson fez o dever de casa: simulador, trabalho com engenheiros, foco total. ‘Falei para ele: esquece o que está fora, esquece voo, hotel, tudo. Foca aqui’, contou Permane. Funcionou. Nesta temporada, o neozelandês já soma 39 pontos — superando sua pontuação total de 2025 — e lidera a briga da Racing Bulls contra a Alpine, ambas empatadas com 61 pontos no campeonato de construtores.
Permane ainda soltou uma pérola filosófica sobre estilos de pilotagem: ‘Os melhores não têm estilo. Nem Fernando Alonso nem Max Verstappen têm. Eles simplesmente guiam o carro do jeito que precisa ser guiado para andar rápido.’ Por essa lógica, Lawson pode estar aprendendo a ser ‘sem estilo’ — e a Racing Bulls colhe os frutos. Se a Red Bull estava esperando um piloto pronto de fábrica, parece que o serviço de assistência técnica na filial foi mais eficiente que o departamento de desenvolvimento da matriz.