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F1

Leclerc perde pole por bandeira amarela ‘assustada’; Verstappen compara F1 2026 a F3 e Hadjar vira ‘herói do vácuo’

Entre um susto no pitlane, um tow salvador e reclamações sobre ‘motor de kart’, o grid de Spa já rende treta antes da largada.

Por Bruno Bandeira Fonte: Autosport +7 fontes

O talento de Charles Leclerc em Spa-Francorchamps é conhecido, mas desta vez a Ferrari resolveu disputar a pole com uma força externa: a bandeira amarela. Nos segundos finais do Q3, quando Leclerc estava 0,070s mais rápido que sua volta anterior e cruzava a Bus Stop, o pitlane já exibia bandeira amarela porque o parque fechado estava se formando. Resultado: o monegasco perdeu a volta e, com ela, uma posição no grid. Ou, como diria a Ferrari, ‘foi a bandeira, não fomos nós que erramos a estratégia’.

Enquanto Leclerc lamentava o azar do protocolo, Max Verstappen celebrava o trabalho em equipe – ou, melhor, o vácuo. O neerlandês agradeceu publicamente a Isack Hadjar, seu companheiro na Red Bull, por ter lhe dado ‘um tow e meio’ no Q3. Hadjar, que largará do fim do grid por uma penca de trocas de componentes da unidade de potência, virou o ‘herói do vácuo’ da vez. Verstappen estimou que o empurrãozinho aerodinâmico valeu uns três décimos – o suficiente para transformar um sexto lugar em segundo. ‘Execução perfeita’, disse a Red Bull. ‘Só mais um dia no escritório’, respondeu Hadjar, provavelmente.

Mas a grande novela do fim de semana em Spa não é sobre quem larga na frente, e sim sobre o que os pilotos estão pilotando. Verstappen, que até tentou não reclamar (‘não quero ficar falando mal das regras, senão alguém vai me dar um tiro na saída’), não resistiu: no setor 2 do circuito, onde os carros rodam só no motor a combustão, a potência despenca para algo entre 450 e 500 cv. ‘É basicamente um F3 com downforce de F1’, disparou Max, antes de admitir que está ‘se ajustando mentalmente’ à nova realidade. Carlos Sainz, diretor da GPDA, foi mais direto: ‘Ninguém está aproveitando a volta de classificação como no ano passado. Quem viu essas simulações em 2022 e 2023 e não disse nada precisa revisar o que aconteceu.’ Lando Norris, mais exagerado, comparou os bólidos a carros de F4. E Oscar Piastri, saudosista, rebatizou Pouhon de ‘a curva na reta’, já que a curva – que antes era curva – agora é só um susto no meio do caminho.

Apesar da polêmica técnica, a classificação teve seus heróis e vilões. Kimi Antonelli (Mercedes) cravou a pole com autoridade, superando até Verstappen na parte final do Q3. George Russell, o outro lado da moeda prateada, ficou em quarto, reclamando de uma perda de velocidade nas retas que o time ainda não conseguiu explicar – e que ele jura que não é culpa do seu estilo de pilotagem. ‘É frustrante ver dois a seis décimos sumindo nas retas sem motivo’, desabafou. Enquanto isso, na Haas, Gabriel Bortoleto (nono) deixou Nico Hülkenberg (14º) no chinelo – e o alemão ainda parou o carro na pista no caminho de volta pros boxes. Já na Racing Bulls, Arvid Lindblad (oitavo) celebrou ‘a melhor classificação do ano’, sonhando alto: ‘Talvez dê para beliscar uns caras grandes amanhã.’

No fim, o grid de Spa é um retrato de 2026: carros que precisam de vácuo para andar, motores que lembram categorias de base e pilotos que alternam entre o sarcasmo e a resignação. Pelo menos a corrida promete – ou, como diria Bearman, diplomático: ‘É o que temos.’

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