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Kart Chaser: o unicórnio que virou inspiração (e a FIA copia, mas sem a graça)

Do YouTube caseiro ao topo do kartismo americano: Xander Clements conta como criou um formato que até a federação tenta imitar — com resultados, digamos, questionáveis.

Por Bruno Bandeira

Se existe um unicórnio no kartismo mundial, ele atende pelo nome de Kart Chaser. No país onde o esporte nasceu — na verdade a Itália, mas o texto é sobre os EUA — o projeto de Xander Clements virou referência. Tanto que até a FIA resolveu ‘se inspirar’ no formato de entrevistas e narrativa. Só esqueceram de copiar a parte que funciona.

Clements, que começou a vida fazendo stop motion com carrinhos da NASCAR aos 8 anos (o vídeo tem 11 mil views, e ele jura que não foi bot), cresceu dentro do kartismo americano. Aos 15/16, já comentava, fiscalizava e até treinava — tudo porque não tinha grana pra competir. ‘Se eu não podia correr, pelo menos ia ficar perto de quem corria’, parece pensar.

O calendário ‘Pro National’ que ele descreve é uma verdadeira turnê de circo sobre rodas: pré-temporada de janeiro a março (SKUSA Winter Series e Rotax Winter Trophy), temporada regular de março a setembro (SKUSA Pro Tour, Stars Championship, US Pro Kart Series e mais um monte de siglas que deixariam qualquer um tonto), e o grande finale: a SKUSA SuperNationals, tipo a Super Bowl do kart, mas com menos propaganda de cerveja e mais graxa.

‘Você geralmente consegue ver a pista inteira — coisa que só corrida oval oferece’, explica Clements, que também destaca a duração curta das baterias (perfeita para a geração TikTok) e o fato de que, ao contrário de muitas corridas de carro, no karting o líder raramente foge e o ‘buzzer-beater’ na última curva é quase regra.

E como ele entrou no kart? Com uma apresentação de PowerPoint para os pais, claro. ‘Se tinha 4 rodas, motor e categoria infantil, eu tinha um pitch deck’. O pai, formado em Letras, e a mãe, de TI, não tinham contatos no esporte. Mas depois de algumas vitórias no kart indoor, uma economia bem feita e um amigo da pista local, Clements conseguiu o primeiro kart: um Razor americano com motor chinês de 6,5 cavalos. Quase um Fusca com asas.

A moral da história? Que o kartismo americano tem um comunicador nato, que transformou uma paixão de infância em um formato que até a FIA tenta clonar. Só falta eles aprenderem que não adianta copiar a embalagem se o conteúdo é uma reunião de condomínio.

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