Hungria 2026: kartódromo de asfalto quente promete (mais) uma corrida de xadrez
Com curvas que lembram Mônaco, temperatura de forno e apenas uma reta, o GP da Hungria testa paciência e estratégia dos pilotos — e a sorte de quem acertar o pit stop.

Foto: Formula1.com / Foto original da matéria-fonte
Se você acha que F1 é só acelerar fundo, claramente nunca viu o Hungaroring. O circuito de 4,381 km é um daqueles lugares onde os pilotos mais parecem dançarinos de balé do que velocistas — 14 curvas, apenas uma reta de verdade, e 70 vezes ao redor do traçado. Pirelli, sem medo de ser feliz, traz os compostos mais macios (C3, C4 e C5), que devem sofrer com temperaturas típicas de churrasco e degradação térmica na traseira. É ou não é um kartódromo de luxo?
O GP deste ano, rodada 11 da temporada, acontece entre 24 e 26 de julho. Para quem gosta de números: 69 ultrapassagens aconteceram em 2025, chance de Safety Car de 13% e VSC de 25%. Ou seja, preparem-se para filas indianas — digo, filas húngaras. A boa notícia é que as curvas 1 e 12 foram recapeadas, então talvez os pilotos consigam frear sem parecer que estão tentando parar um boi solto.
No campeonato, Kimi Antonelli chega voando após vencer na Bélgica, abrindo 45 pontos de vantagem sobre Lewis Hamilton — que, por sua vez, ultrapassou George Russell no campeonato. O inglês da Mercedes, coitado, foi abalroado pelo próprio Lewis na primeira volta em Spa, e agora torce para que o problema na unidade de potência seja resolvido. Já a Ferrari, com Leclerc em boa fase (P2 na Bélgica) e Hamilton sumindo nos treinos (bateu no FP3), tenta se aproximar. McLaren, como sempre, promete dar trabalho.
Palavra de quem entende: Jolyon Palmer, ex-Renault, descreve o traçado como ‘pequeno mas traiçoeiro’, com um primeiro setor de duas curvas esburacadas e um setor médio que exige ritmo de metrônomo. A única chance de ultrapassagem é na freada da Curva 1 — ou, se bobear, na Curva 2. No resto, é seguir o carro da frente e rezar. Ou, como diria um estrategista: ‘vai ter que ser no pit stop, amigo’.