Hungaroring: O kartódromo dos sonhos que adora esnobar a pole position
Com curvas que lembram kart, ultrapassagens raras e uma tradição de vencer sem largar na frente, o GP da Hungria promete emoção (e calor) neste fim de semana.

Foto: Formula1.com / Foto original da matéria-fonte
A F1 desembarca neste fim de semana no Hungaroring para mais um GP da Hungria, e se você espera um circuito cheio de retas e ultrapassagens fáceis, prepare-se para se decepcionar — ou se encantar. Construído em menos de nove meses em 1986, o traçado de 4.381 km é famoso por sua natureza travada e sinuosa, lembrando mais um kartódromo do que um autódromo de F1. ‘É apertado, exige ritmo e não perdoa erros’, resume o ex-piloto Jolyon Palmer.
A história do GP húngaro é curiosa: a primeira edição, em 1936, foi num parque em Budapeste, mas a F1 só chegou por ali em 1986, quando o país ainda estava atrás da Cortina de Ferro. De lá para cá, o circuito já teve uma chicane removida (por causa de uma nascente subterrânea) e a reta principal alongada em 2003, mas o caráter travado permanece. O resultado? Ultrapassar é tão difícil quanto achar vaga em São Paulo — e a maioria das manobras acontece na largada ou na curva 1.
Palmer, que correu na Hungria na GP2, explica que a chave é o setor intermediário, onde uma curva leva à outra sem descanso. ‘Você precisa estar posicionado para a próxima curva antes de sair da anterior’, diz. No setor final, o superaquecimento dos pneus vira um drama, e a única chance real de ultrapassagem é na freada da curva 1, vinda da reta dos boxes. Para ajudar, a F1 introduziu o ‘Modo Reta’ (quatro zonas) e o ‘Modo Ultrapassagem’, com detecção na curva 14 e ativação na saída — uma mãozinha tecnológica para tentar quebrar a monotonia.
Entre os fatos curiosos, o GP da Hungria tem um talento especial para virar a lógica do avesso: nos últimos cinco anos, ninguém venceu largando da pole position. Lewis Hamilton domina com oito vitórias e a pole mais recente, mas a McLaren é a equipe mais vitoriosa (13 triunfos). Em 2026, o circuito completa 40 anos de F1, e nomes como Piastri, Ocon, Button e Alonso conquistaram ali suas primeiras vitórias. Ou seja: se você é fã de surpresas, o Hungaroring é o lugar certo.