F1 no Oriente Médio: se foguetes não pararem, temporada termina na Europa
Com conflito escalando, presidente da F1 admite que GP de Abu Dhabi pode ser substituído por etapa europeia; WEC já pulou fora.

Foto: 1 de 5 Largada do GP de Abu Dhabi da F1 em 2026 — Foto: Zak Mauger/LAT Images / Foto original da matéria-fonte
Se a geopolítica já era complicada para montar o calendário da F1, imagine agora com mísseis de verdade. Depois de transferir o GP do Bahrein para Sepang em outubro, a categoria agora avalia o futuro das provas do Catar e de Abu Dhabi, ambas no fim do ano. O motivo? A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que provocou ataques a petroleiros e outras infraestruturas na região.
Stefano Domenicali, o chefão da F1, foi sincero: ‘Se a situação não nos permitir estar lá, vamos encerrar o campeonato na Europa’. Tradução: se os foguetes não derem trégua, o título de 2026 pode ser decidido num lugar onde o maior perigo é um safety car mal posicionado. A última vez que a F1 fechou a temporada no Velho Continente foi em 1997, em Jerez — época em que os pilotos ainda usavam bigode (ou cabelo, no caso do Villeneuve).
Enquanto a F1 segura a onda até meados de setembro para decidir, a WEC já bateu em retirada e cancelou suas corridas na região. Como disse Domenicali, ’estamos em contato com todos os outros campeonatos’. Sim, e eles já mostraram o caminho: endurance é uma coisa, encurtar a vida é outra.
Por incrível que pareça, os ingressos para Catar e Abu Dhabi estão esgotados. ‘Isso é um sinal incrível de como o esporte é maior que o problema’, filosofou Domenicali. Pois é, mas um ingresso esgotado não para um míssil. E se a coisa apertar, o plano B é uma rodada dupla em Las Vegas? Esquece: o feriado de Ação de Graças atrapalha. Então, Europa. Afinal, se a F1 quer emoção, nada como um final de temporada onde o maior risco é um safety car mal posicionado.