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F1 2026: Pilotos são passageiros de IA que ainda não aprendeu a dirigir

Algoritmos ‘pensam’ no lugar dos pilotos e deixam a torcida boquiaberta — e frustrada — com decisões elétricas duvidosas.

Por Bruno Bandeira

Foto: The Race / Foto original da matéria-fonte

Pilotos de F1 estão vivendo um novo drama: o de serem reféns de inteligências artificiais que decidem quando e onde usar a energia do carro. No GP da Bélgica, as diferenças de velocidade em reta entre carros idênticos foram tão bizarras que Oscar Piastri desabafou: ‘quando a classificação é decidida por computadores que se comportam ou não, é um jeito bem porcaria de correr’. O australiano, que parece ter virado especialista em desabafos tecnológicos, disse que se sente um passageiro de um programa de IA que ainda precisa de treino.

Charles Leclerc, conhecido por suas voltas explosivas, agora precisa se conter: fazer uma curva ‘muito boa’ pode custar caro na reta seguinte, porque a bateria já foi gasta. ‘Não é meu exercício favorito’, admite o monegasco, que prefere o limite bruto. Já Max Verstappen, sempre direto, resume: ‘Às vezes você não pode fazer diferença. Não tem permissão para fazer diferença, porque será punido na reta seguinte.’ Ou seja, o melhor jeito de ser rápido é… não ser rápido demais.

A situação é tão caótica que até chefes de equipe pedem socorro. Ayao Komatsu, da Haas, classifica a fórmula como ‘muito complicada’, dependente de ‘detalhes minúsculos da operação do piloto que geram consequências não intencionais’. Ele defende uma simplificação para devolver o controle aos pilotos e fazer o esporte mais compreensível para o público. Afinal, ninguém merece ver um carro mais lento que o outro na reta só porque a IA resolveu economizar energia na hora errada.

Há esperança no horizonte: mudanças para 2027 e 2028 devem aumentar a participação do motor a combustão para 60%, reduzindo o peso dos algoritmos. Piastri acredita que o entendimento das equipes vai melhorar com o tempo, mas admite que o problema nunca vai desaparecer de vez. Enquanto isso, os pilotos seguem treinando sua paciência — e torcendo para que a IA aprenda a não atrapalhar. Afinal, ninguém assinou contrato para ser co-piloto de um software.

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