Aulas de quase-atropelamento: como Verstappen e Norris aprenderam a amar (ou odiar) a chuva
Max começou cedo, com o pai servindo de cone humano; Lando quase desistiu do kart por causa do frio e da falta de músculos. Agora ambos são feras no molhado.

Se você acha que aprender a pilotar na chuva é apenas uma questão de talento, Max Verstappen veio lembrar que, no seu caso, envolveu também um risco altíssimo de cometer parricídio involuntário. O tricampeão revelou que seu pai, o ex-F1 Jos Verstappen, costumava ficar parado em pontos específicos da pista molhada para ensinar as linhas de traçado ao filho. ‘Eu quase o atropelava, ele tinha que se afastar de repente porque eu entrava na curva um pouco rápido demais’, contou Max, rindo. Um método de ensino que, convenhamos, daria ótimos comerciais de seguro de vida.
A técnica, segundo ele, foi forjada na necessidade: na categoria mini-kart, não havia pneus para chuva, então a turma corria com pneus lisos mesmo no molhado. ‘É bastante desafiador, mas muito bom para desenvolver o controle’, explicou. E não é que o método quase-fatal deu certo? Hoje Verstappen é tido como um dos maiores especialistas em pista molhada da F1, ao lado de nomes como Ayrton Senna — que também treinava incansavelmente na chuva com seu kart em São Paulo. Parece que, para ser rei do molhado, é preciso começar cedo… e ter um pai com nervos de aço.
Já Lando Norris não guarda lembranças tão afetuosas da primeira vez que correu na chuva. ‘Eu odiei. Foi um dos piores dias da minha vida’, disparou o piloto da McLaren. O problema? Além do frio congelante, Lando era ’tipo 0% de gordura corporal, mas também 0% de músculos’ — uma combinação que não ajudava a manter o calor. Resultado: ele era ‘muito lento’ e mal chegou à final principal. Quase largou o kart de vez.
Mas, como toda boa história de superação, o vento (molhado) mudou. Norris conta que sua última corrida no kart, em 2014, foi justamente no Mundial, debaixo d’água — e ele venceu. ‘Encerrei minha carreira no kart com um pouco mais de confiança na chuva’, disse, com modéstia britânica. Hoje, admite que ainda não curte quando não enxerga ‘cinco a dez metros à frente’, mas encara o desafio. Ou seja: de quase desistente do kart a especialista em condições adversas. Quem diria que o segredo era deixar de ser um palito de dente congelado?