Aston Martin chega ao GP da Hungria com 16 partes novas (e uma esperança de não ser mais o patinho feio)
Equipe britânica finalmente tira do papel o tão esperado pacote B-spec, enquanto rivais também trazem retoques — mas o verdadeiro teste será se os dados de simulação não mentem.

Foto: The Race / Foto original da matéria-fonte
O GP da Hungria finalmente trouxe à luz o que a Aston Martin vinha ensaiando há meses: o chamado ‘B-spec’, um pacote de 16 atualizações que, nas palavras do time, equivale a um carro novo — e, convenhamos, depois do começo de temporada da equipe, qualquer coisa que não seja pior já é lucro. Mike Krack, chefe de pista, admitiu que havia uma ‘pergunta de US$ 1 milhão’ sobre se teriam peças suficientes para ambos os carros. Spoiler: conseguiram. Mas ele mesmo avisou que o primeiro final de semana será um aprendizado, já que não há teste de inverno para calibrar tanta novidade.
Entre as mudanças declaradas estão um novo nariz mais longo e fino, asa dianteira redesenhada, dutos de freio remodelados, assoalho revisado em todas as superfícies permitidas, difusor reformulado, entradas de sidepod alinhadas ao novo pacote, e uma asa traseira que redistribuiu dimensões entre seus três elementos e ganhou winglets. A equipe também mexeu em cobertura de motor, suspensão traseira e cantos, além de louvres de refrigeração ‘conceitualmente similares’ (leia-se: parecidos com os de antes, mas esperamos que funcionem melhor).
Enquanto a Aston Martin tenta um salto quântico, a McLaren adotou uma abordagem de dois passos: trouxe apenas algumas peças na Hungria — asa traseira, assoalho, ‘mobiliário do canto dianteiro’ e freios maiores — e deixou o restante para Zandvoort. Já Mercedes, Red Bull, Ferrari, Williams, Racing Bulls, Haas, Audi e Cadillac também trouxeram atualizações: a Mercedes adicionou um winglet central e na cauda, além de ampliar a saída do motor; a Red Bull revisou flaps e difusor; a Ferrari modificou a asa traseira; a Williams modificou geometria dos flaps e winglets do assoalho; a Racing Bulls atualizou asa traseira e adicionou winglets no roll hoop; a Haas modificou carenagem e adicionou um Gurney flap; a Cadillac ampliou dutos de freio; e a Audi mudou endplates da asa traseira. A Alpine, coitada, não declarou absolutamente nada. Ou está guardando algo, ou já aceitou que o fim de semana será de teste.
O ponto alto da semana, porém, foi ver finalmente as peças novas no carro verde: sidepod com perfil diferente, um ‘buraco de rato’ maior no assoalho e um atuador de asa traseira distinto. Krack deixou claro que a equipe pode mudar de direção em conceitos extremos, como a agressiva altura de traseira que usavam. A pergunta que fica: será que as simulações estavam certas? ‘Não esperamos tirar tudo já na primeira corrida’, disse Krack, com a honestidade de quem sabe que o papel aceita tudo, mas a pista é implacável.