Antonelli vira a chave e faz Mercedes engolir o próprio ceticismo
De azarão a algoz: o moleque de 19 anos que ninguém levava a sério agora humilha a concorrência com uma serenidade de monge zen.

Foto: 1 de 2 Kimi Antonelli celebra vitória no GP da Bélgica da F1 em 2026 com a Mercedes — Foto: Jayce Illman/Getty Images / Foto original da matéria-fonte
Quando a Mercedes anunciou que o então garoto de 18 anos Kimi Antonelli substituiria Lewis Hamilton em 2025, a torcida virou piada: ‘vão colocar um recruta no cockpit?’. No primeiro ano, a piada parecia ter fundo de verdade – resultados mornos, eliminações precoces e a impressão de que a pressão era maior que o talento. Mas eis que 2026 chegou, e o italiano resolveu mostrar que piada boa é a que se repete: agora ele é quem ri, com seis vitórias e 45 pontos de vantagem sobre o próprio Hamilton.
O troco mais doce veio em Spa-Francorchamps, palco da humilhação no ano passado – quando Antonelli sequer passou do Q1, marcando o 18º tempo. Neste ano, o mesmo circuito viu o italiano fazer a pole e vencer com a frieza de quem está passeando. ‘Não era esperado’, admitiu Toto Wolff, o chefão da Mercedes, visivelmente atônito. ‘Esperávamos evolução, mas não essa serenidade robótica. Ele parece um veterano de 200 corridas, não um moleque de 19 anos.’
O segredo, segundo Wolff, não está na velocidade – que sempre esteve lá –, mas na cabeça. Antonelli virou um monge do asfalto: quando o carro quebra, ele não esperneia; aponta o defeito. Quando vence, não comemora como um adolescente que ganhou o videogame. ‘Ele trata os problemas como um engenheiro, não como um piloto birrento’, disse Wolff. ‘Isso nos pegou de surpresa.’ E pegou também George Russell, o experiente companheiro de equipe que, com mais de 160 GPs, vê o novato abrir 50 pontos de vantagem como se fosse fácil.
Com a maior mudança de regulamento em décadas, a Mercedes acertou no carro – mas foi Antonelli quem soube extrair o máximo do conjunto. Resta saber se a calmaria vai durar até o fim do ano ou se é só mais um truque de mágica de um garoto que adora provar que os céticos estão errados. Até agora, o saldo é de um sorriso amarelo na concorrência e uma Mercedes que, ironicamente, está surpresa com o próprio talento que criou.