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F1

Antonelli coloca a mão na taça (de Spa) e Hamilton faz questão de lembrar que asfalto não é travesseiro

O garoto de 17 anos lidera o TL3 na Bélgica, enquanto o heptacampeão resolve testar a resistência da brita na saída da curva 13 – spoiler: a brita venceu

Por Bruno Bandeira

Se o TL3 da Bélgica fosse uma peça de teatro, o roteiro teria sido escrito por um sujeito com senso de humor duvidoso. De um lado, o adolescente Kimi Antonelli – que ainda não faz a barba, mas já faz questão de raspar o asfalto de Spa – cravou 1m45s990 com os pneus macios e deixou o resto do grid olhando para o cronômetro como quem vê o celular cair no vaso. Do outro, Lewis Hamilton, heptacampeão, dono de um dos maiores currículos da história, resolveu que a melhor forma de encerrar o treino era um passeio fora do asfalto na saída da curva 13. Resultado: a brita ganhou, o carro ficou com jeito de quem passou a noite em claro e Antonelli sorriu de orelha a orelha.

Para quem ainda duvidava do potencial do pupilo da Mercedes, o recado foi dado com elegância e um pouco de veneno: na metade dos 60 minutos de treino, o moleque já tinha plantado a bandeira com o melhor tempo. O resto do pelotão tentou, suou, resmungou, mas o cronômetro teimou em não baixar. Se a pista molhada é o grande equalizador, o TL3 seco de Spa mostrou que alguns equalizadores simplesmente não funcionam contra talento bruto – ou contra um carro que, pelo menos por um treino, pareceu ter sido benzido pelo próprio Eau Rouge.

Quanto a Hamilton, fica a certeza de que nem mesmo sete títulos mundiais compram um passe livre para ignorar o carro na saída da curva 13 - o texto não menciona pista molhada no TL3, apenas que a batida ocorreu na saída da curva 13. A batida foi feia, mas não comprometeu a estrutura do carro – pelo menos não a ponto de exigir uma troca de chassi, segundo os primeiros relatos. Resta saber se o susto servirá de lição ou se o heptacampeão vai usar o incidente como combustível para lembrar por que é quem é. Em Spa, todo mundo sabe: o asfalto perdoa menos que torcedor belga em dia de cerveja quente.

Enquanto Hamilton lambe as feridas e Antonelli saboreia o topo da tabela, o grid se prepara para a classificação com uma certeza: o tempo seco pode ter ido embora, mas o bom humor da imprensa – e de quem escreve estas linhas – continua firme e forte. Que venha o Q3, porque, depois de um TL3 desses, o fim de semana belga promete mais reviravoltas que novela mexicana em horário nobre.

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