Alberto Ascari ganha experiência de VR com pit stop retrô e gatos pretos
Museu de Silverstone usa realidade mista para contar a história do último campeão italiano da F1 — e te coloca para trabalhar em um pit stop dos anos 1950

Alberto Ascari é um daqueles nomes que fazem qualquer fã de F1 tirar o chapéu, mesmo que muitos não o reconheçam numa foto ao lado de Senna, Schumacher ou Hamilton. Ele é, até hoje, o último italiano a conquistar o título mundial da categoria — uma marca que atravessa décadas.
Para resgatar essa memória, o Multiverse Institute for Arts and Technology criou ‘Black Cats & Chequered Flags’, uma experiência de realidade mista que estreou no Festival de Veneza e agora está em cartaz no Silverstone Museum até junho de 2027. Nada de documentário chato: a atração mistura animação, imagens de arquivo, entrevistas e interatividade para mergulhar o visitante na vida do piloto, desde a infância ao lado do pai Antonio até os dias de glória nas pistas.
Antes de viajar no tempo, porém, você e três completos estranhos (ou amigos, se preferir) são convocados para um pit stop nos moldes dos anos 1950. A missão: trocar pneus, abastecer e limpar o para-brisa de um carro que não está lá. O resultado é uma coreografia caótica digna de um episódio de ‘The Office’ — e o melhor é ver os outros participantes correndo como galinhas sem cabeça ao redor de um bólido invisível. Nossa equipe completou a tarefa em 1min52, o que seria um vexame na F1 moderna, mas um tempo respeitável para 70 anos atrás. Ou pelo menos é o que a gente vai contar por aí.
Depois do pit stop, a experiência vira uma jornada solo pela vida de Ascari. Você interage com objetos, lê jornais, tira fotos e — claro — acaricia um gato preto. Afinal, o homem tinha um arsenal de superstições: pavor do número 26, capacete azul de estimação e, claro, uma relação curiosa com gatos pretos, que dá até título à atração.
Tecnicamente, a atração é um colírio para os olhos (e para o estômago). O headset é confortável, cabe até sobre óculos, e o sistema de rastreamento de mãos dispensa controles: um simples gesto de pinça com os dedos permite interagir com o mundo virtual. Para quem sofre de enjoo em VR, a boa notícia é que o passeio é suave — o único momento de tontura foi superado ao olhar para o chão de verdade. E não é preciso ser expert: a equipe do museu, liderada pela Catherine, faz uma introdução completa para iniciantes. No fim das contas, ‘Black Cats & Chequered Flags’ é uma forma criativa de aprender sobre um capítulo fascinante da história da F1. Você entra conhecendo pouco sobre Ascari e sai com vontade de pesquisar mais — e, de quebra, com uma nova habilidade: fazer pit stop virtual em tempo recorde, sem derrubar o carro invisível.